Lewis Holiday Davis

Lewis Holiday Davis nasceu em Songville, no estado de São Paulo, em 12 de fevereiro de 1904 e faleceu na mesma cidade em 6 de julho de 1951. Foi um  compositor e multi-instrumentista, que sabia tocar instrumentos de sopro, de percussão e de cordas. Contudo, sua preferência era pelo trompete. Especialistas em música da atualidade o consideram "a personificação do jazz brasileiro".

Filho de Evelyn Holiday e de Ethan Davis, desde cedo teve contato com a música, uma vez que os pais trabalhavam na fábrica de instrumentos “Sam Vaughan”. Eles eram amigos do dono da fábrica, Samuel Vaughan, que permitia que eles levassem instrumentos para casa para tocarem com o filho e depois os devolvessem. O garoto era aplicado e aprendeu a tocar 23 instrumentos diferente.

Aos quinze anos, Lewis decidiu trabalhar para poder ter seu próprio dinheiro. Procurou Samuel Vaughan e propôs uma ideia de demonstração dos instrumentos musicais em bares e clubes de outras cidades a fim de alavancar as vendas. Samuel gostou da ideia, mas ficou relutante em razão da pouca idade do garoto. Mas em consideração aos pais de Lewis, que eram seus amigos, ele aceitou.

De 1919 à 1927, viajou por praticamente todo o Brasil, representando a fábrica de instrumentos “Sam Vaughan” em clubes e bares. Por onde passava, deixava uma impressão muito positiva, tanto do seu empregador quanto sua também. Gostava de tocar vários instrumentos, mas sua predileção sempre fora o trompete.

Aos 24 anos, deixou a empresa “Sam Vaughan” para se dedicar à carreira solo. Lewis conquistou respeito como músico e se apresentou pelo Brasil em clubes pequenos até 1933, quando a oportunidade lhe bateu à porta. O convite de Feliciano Sodré, governador do estado do Rio de Janeiro, deu-lhe a oportunidade de tocar seu trompete na inauguração do Cassino da Urca, no Rio de Janeiro. A partir daí, a carreira de Lewis teve uma ascensão meteórica, sendo artista recorrente no cassino. Teve a oportunidade de tocar ao lado de Carmen Miranda, Emilinha Borba, Grande Otelo e dos internacionais Josephine Baker, Maurice Chevalier e Lucienne Boyer. 

Com esse sucesso, Lewis adotou o nome artístico Lewis “Holy” Davis a conselho de Carmen Miranda, que dizia que “de seu trompete só saiam notas santas”.

A presença do jazzista nas rádios Guanabara e Nacional fazia com que seu nome fosse projetado pelo país inteiro.

O sucesso também lhe trouxe dores de cabeça por conta de seu ponto fraco: mulheres. Estima-se que Lewis possua quase uma dezena de filhos não reconhecidos.

Em 1944, a convite de Grande Otelo, participou como ator convidado em três filmes chanchadas da Companhia Cinematográfica Atlântida: “Minha música te seduz”, “A mulher do patrão” e “Beleza de vizinha”.

Em 1946, houve a extinção, por lei, dos jogos de azar no país, o que determinou o fechamento do cassino da Urca. Lewis recebeu a notícia com tristeza e ficou totalmente sem saber o que fazer. Tentou continuar sua carreira por casas menores por quatro anos, mas aquilo não tinha o mesmo gosto.

Em 1950, com a chegada da TV ao Brasil, o músico percebeu que a gloriosa Era do Rádio havia acabado.

Em junho de 1951, voltou para Songville como herói, recebido com honras pelas autoridades por levar o nome da cidade para os quatro cantos do país. A prefeitura propôs ao músico um show de retorno, que foi aceito. O show aconteceu em 5 de julho de 1951, no coreto da cidade. Songville ouvia ao vivo aquele “santo som” sair do trompete, como bem dizia Carmen Miranda, pela primeira vez em muito tempo. O músico tocou com sua alma pela última vez em sua vida. No dia seguinte, seu corpo foi encontrado pela camareira da pousada. Ele havia se enforcado. 

Mais de 30.000 fãs de várias cidades encheram as ruas de Songville para o velório na câmara dos vereadores.

Por ter cometido suicídio, Lewis não pôde ser enterrado no cemitério cristão, atrás das igrejas protestante e católica. Foi enterrado atrás da “casa grande” dos tempos em que Songville ainda era uma fazenda de café. Naquele local, por causa desse episódio, foi erguida a “igreja de todas as crenças”, com um pequeno cemitério nos fundos para enterrar aqueles que foram rejeitados pelas igrejas católica e protestante.

Mesmo após o enterro, e também nos anos seguintes, fãs passaram a visitar o túmulo do músico.

Em 1952 foi inaugurado o “Museu Lewis Holy Davis”, com peças pertencentes ao músico. Desde então a cidade se tornou ponto turístico, com lojas de lembrancinhas temáticas do músico e guias que levam fãs para conhecer lugares por onde o maior jazzista brasileiro passou.